“Os dias eram assim”; O lindo romance que findou em didatismo

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SUBESTIMAR SEU PÚBLICO É UMA FORMA DE DIZER PARA ELES QUE VOCÊ É MELHOR E ISSO NÃO CHAMA ATENÇÃO!

A supersérie que corre como a 7º novela da Globo de autoria de Angela Chaves e Alessandra Poggi, conta a história de um casal separado durante a ditadura. A série é ambientada de forma caprichosa na época da ditadura, apesar de muito linda “Os dias eram assim” é criticada pelo público por não apresentar o  verdadeiro ‘terror’ da época, que segundo os próprios pertencentes à época existiu, após a tentativa de apresentar mais sobre a época a emissora falhou e toda audiência veio abaixo.

A história começa durante a final da Copa de 70, em clima caótico de ruas cheias reunindo a polícia montada e a euforia da multidão repreendida. O personagem de Gabriel Leone (Gustavo) inicia uma revolta ao tirar um spray da mochila para pichar o chão com os dizeres “abaixo a ditadura”. A cena deu início à trama política, que acabou atingindo quase todos os personagens.

Uma produção delicada e com acabamentos de encher os olhos, sem dúvida uma das melhores produções da emissora. Com figurinos de Marília Carneiro e Reinaldo Machado que levam o público para dentro daquela época; Destaque também para a linda cenografia.

Grande parte das externas foi filmada em locais do Rio que não mudaram de lá para cá. Grande tacada, que salvou a vida da equipe.

A parte mais criticada e que deixa um pouco a desejar foi o trabalho de pesquisa de arquivos. Já a trilha, essa merece grande aplauso. O elenco é todo muito bom e, no geral, os atores estão em plena sintonia com seus personagens, com um início mais enferrujado que engrenou legal com o decorrer da história. Gabriel encara aqui um dos mais complexos e difíceis personagens de sua carreira, mas tira de letra com todo seu talento.

A audiência não vem tendo bons índices. Bem abaixo do esperado e há esforços para atrair o público. Uma das explicações para a evasão estaria no resultado do grupo de pesquisa: as pessoas conhecem pouco sobre aquele período, foi uma das justificativas lançada na internet, porém a força dos não apoiadores da emissora cresce de forma acelerada, a Globo articula e deve chamar a atenção com uma mega virada na trama.

A trama  segue para o fim e tenta de forma delicada explicar o Golpe de 64, o que dá lugar a uma espécie de documentário ficcional, carregando a produção para uma grande ‘sinuca de bico’.

Mariana Lima virou a porta voz dos clichês da época. A coisa é grave a ponto de exibirem uma cena em que ela aparece diante de um quadro-negro (a personagem é professora de História) escrevendo: “1964”. Isso antes de falar: “Foi o ano em que o presidente do Senado consumou o golpe e anunciou o fim da presidência de João Goulart, que tinha sido eleito democraticamente”. Mas “Os dias eram assim” não era um enredo de amor que teria um pano de fundo histórico?, atacou muitos internautas e bloggers de plantão.

A pesquisa dizia que o espectador pouco conhecia sobre o assunto, talvez cativar com outros aspectos seria a saída, porém não foi esta a iniciativa tomada. Existem marcas terríveis implantadas e acontecendo nos dias atuais, uma saída seria trazer para este tempo em que vivemos? Porém eu prezo mesmo é pela a arte e deixar está linda série cair no didatismo rasteiro sem buscar em falhas da dramaturgia, são as razões para a baixa audiência é um equívoco.  Talvez a falha seja mesmo terem subestimado a inteligência do público.

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