Público assiste no sábado (5.mar.22) ao espetáculo teatral "Uma Moça da Cidade". Foto: Tero Queiroz

Política de MS fecha as portas para a arte, mas Fulano Di Tal inaugura teatro de bolso lindo, vem ver!

Campo Grande é a capital do Mato Grosso do Sul, mas pasmem, ela tem um total de “0” teatros públicos. Aliás, até tem teatros, mas estão todos fechados. O que a prefeitura de Marquinhos Trad (PSD) não fechou, a Secretaria de Cultura de Cidadania de Reinaldo Azambuja (PSDB) fechou e abandonou. A desculpa para fechar os espaços? Era de que seriam reformados, mas lá se vão mais de 10 anos sem um espaço público aos artistas campo-grandenses.

Eu escrevi um conteúdo lá no MS Notícias mostrando que o Grupo Fulano Di Tal conseguiu inaugurar um teatro de bolso, lindo, a propósito! Além de arcar com os custos do aluguel, o grupo que celebra 19 anos de resistência artística em Mato Grosso do Sul em 2022, ainda está realizando uma temporada em alusão ao “mês do Teatro e do Circo” — lembrado em 27 de março.  

O ator Douglas Moreira em cena, no espetáculo Uma Moça da Cidade, criação, direção e atuação de Anderson Bosh. Foto: Tero Queiroz.

O meu amigo, Marcelo Leite, de 45 anos, é o diretor do Fulano Di Tal. Falei com ele às 20h do sábado (5.mar.22). No momento em que o teatro de bolso, localizado na rua Rui Barbosa, 3099, Centro, em Campo Grande, havia terminado de receber a primeira apresentação teatral, do espetáculo “Uma Moça da Cidade”, do também amigo, Anderson Bosh. Leite contou que além do espetáculo de Bosh, a casa contaria com uma programação de 3 finais de semana, com 2 sessões em cada dia. “São três espetáculos nesta temporada: ‘Uma Moça da Cidade’, ‘Guri Árvore’ e ‘Do Bem Amado’. A gente aliou duas ideias, inaugurar o espaço e comemorar o dia do teatro”, resumiu.  

A ação foi nomeada de “Temporada Popular do Teatro” — Teve início no sábado (5.mar) — aconteceu no dia 6 de março a 2ª apresentação. E no dia 12 de março teve a 1ª apresentação do ‘Guri Árvore’. Neste domingo (13.mar), momento em que escrevo a vocês, acontece a 2ª apresentação do ‘Guri Árvore’. — Eu reservei meu ingresso há pouco! E quanto ao valor do ingresso, não é definido pelo grupo. “Não tem [valor definido]. A pessoa dará uma contribuição espontânea. Ela vem e assiste ao espetáculo, no final ela é convidada a contribuir. A pessoa pode dar quanto ela quiser, de 1 centavo a R$ 100, quanto ela achar que o espetáculo vale”, esclareceu Marcelo. 

A Temporada Popular de Teatro continua nos dias 19 e 20 de março, também às 20 horas, com 2 exibições do espetáculo ‘Do Bem Amado’. Marcelo me disse que é necessário que se faça a reserva do ingresso de maneira antecipada, pois o espaço comporta apenas 30 pessoas de público.

Uma atitude bonita na ação da temporada. A unidade dos artistas, levou a todos os integrantes dos 3 espetáculos (tanto atores, quanto técnica) a abrirem mão dos seus cachês. “Foi uma decisão coletiva. O Marcelo até ficou meio receoso na hora de nos convidar, mas decidimos assim quando a situação foi colocada. É lindo ver esse espaço aberto e a gente estreando-o, foi especial demais hoje”, disse naquele sábado (5.mar) Douglas Moreira, que interpreta em “Uma Moça da Cidade” há 5 anos. Ele falou comigo no final da apresentação.

Marcelo contou que a decisão de assumir o espaço que consiga receber público é inédita para o Grupo. “Aberto para a cidade é a 1ª vez, já tivemos espaço de ensaio, mas aberto assim, para receber público não”.

Inaugurar um teatro de bolso em uma cidade coordenadas por políticos que não só ignoram os artistas, mas também trabalham para dificultar suas atividades, é um ato de resistência. “Porque a gente está sem espaço para os grupos locais. Alguns grupos que tinham espaço fecharam e a gente se viu saindo de uma pandemia, querendo fazer teatro, querendo receber o público, com um governo que não é favorável a arte, com editais também não tão favoráveis as artes… e a situação dos eventos, todos cancelados. Então, a gente viu uma necessidade de o grupo resistir, existir, colocar nossas exibições em cartaz. Convidamos outros grupos que estavam como a gente, sem apresentar e transformar isso daqui num espaço de ensaio, num espaço de apresentação, num espaço de ‘arte-cultura’, com muita música, teatro, dança, cinema, tudo que a gente puder agregar aqui, para isso que servirá esse espaço. É um espaço da cidade. O Fulano Di Tal administra um espaço que a cidade vai poder usar”, disse Marcelo.

O teatro de bolso do grupo ainda é uma espécie de “sala comercial”, que necessita, conforme constatei, de estruturas de iluminação, de refrigeração, de assentos… “Quem quiser nos ajudar, estamos no Instagram, redes, podem vir aqui também e ver nossa realidade. Aceitamos tudo que puderem nos oferecer de apoio”, convocou o diretor.

“Desde a nossa entrada, da fachada, queremos pôr um letreiro lá com o nome Fulano Di Tal, pôr um ar-condicionado, iluminação – principalmente, essas coisas técnicas são as mais pesadas. Mas também precisamos de cadeiras, por exemplo… neste momento podemos fazer permutas, caso haja essa possibilidade. Será muito bem-vinda qualquer ajuda”, completou ele.  

O espaço do Fulano Di Tal ficará aberto sempre durante as manhãs e tardes, de segunda a segunda. À noite também estará aberto, momento em que devem acontecer as apresentações artísticas ou ensaios.  

A TEMPORADA E OS ESPETÁCULOS

Seguindo a programação da Temporada Popular de Teatro, foi exibido no sábado (12.mar) e será exibido neste domingo (13.mar) o espetáculo ´A Fabulosa História do Guri-Árvore´.

No enredo, a partir de um amontoado de coisas desúteis, os irmãos Abílio (Douglas Moreira) e Palmiro (Edner Gustavo) iniciam uma viagem por uma terra estranha. Fuçando nos objetos espalhados pelo quintal, eles encontram uma Geringonça Desreguladora de Memórias, que dá início a contação dessa fabulosa história. Através do lúdico e por meio do teatro de animação (objetos, bonecos e sombras), pantomima e da palhaçaria, são contadas histórias do nosso quintal utilizando também o Fazedor de Imaginanças.

Junto aos personagens principais, se fazem presentes o vovô Manoel de Barros, Bernardo, Bugrinha (Conceição dos Bugres), a Professora Maria da Glória Sá Rosa, Lídia Baís, Wega Nery e, na trilha, as composições feitas especialmente para o espetáculo pelo músico e ator Ewerton Goulart. A classificação é livre.

Por último, no sábado (19.mar) e domingo (20.mar) serão as sessões ´Do Bem Amado´, que conta a história de Odorico Paraguaçu, prefeito da cidade de Sucupira do Sul, que tem como principal meta de governo a inauguração de um cemitério municipal. Com o apoio das irmãs Cajazeiras Dorotéa, Dulcinéa e Judicéa (com as quais o político mantém relações muito próximas), a ajuda de seu secretário Dirceu Borboleta, a oposição de Neco Pedreira (dono do único jornal da cidade) e com os conselhos do Vigário da cidade, o prefeito Odorico precisa encontrar um meio para conseguir realizar sua meta.

O espetáculo é livremente inspirado na famosa obra “O Bem-Amado” de Dias Gomes. No palco apresentam-se Douglas Moreira, Edner Gustavo, Ewerton Goulart (também faz a direção musical), Fernando Lopes Lima e Marcelo Leite. Nesta montagem a trilha sonora é executada pelos atores em cena que tocam e cantam ao vivo.

SERVIÇO

A ´Temporada Popular de Teatro – Edição Março´, acontece nos dias 05, 06, 12, 13, 19 e 20 de março, sempre às 20 horas, no espaço Fulano di Tal, que está localizado na rua Rui Barbosa, 3099, centro; entre as ruas Marechal Rondon e Maracaju, em frente a OI. 

Mais informações pelo Facebook, Instagram, site www.fulanodital.com.br ou pelo telefone/whatsapp (67) 98111-4177.

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