Desorganizado, Festival América do Sul Pantanal humilha artistas de MS

Mesmo com a Oscip Máxima Social tendo recebido aditivo de R$ 900 mil, chegando a lucrar quase R$ 6 milhões para realizar o 16º Festival América do Sul Pantanal 2022, os artistas sul-mato-grossenses denunciam que foram “humilhados” de diversas maneiras durante o evento feito pela gestão tucana em Corumbá (MS), de 26 a 29 de maio.

De van lotada até descaso no pagamento dos artistas, as denúncias são muitas. Há relatados, inclusive, de que os artistas sul-mato-grossenses tiveram que ficar hospedados em um hotel na Bolívia e, caso quisessem estar no festival antes de suas apresentações, tinham que desembolsar R$ 140 para cruzar a fronteira e depois retornar ao hotel para pernoitar.

Artistas chamam a organização do festival de “lorota” e que, na verdade, “não teve nenhuma organização”.

O secretário de Cultura de Mato Grosso do Sul, Gustavo Arruda Cegonha é acusado de tentar colocar artistas um contra a o outro, inclusive, colocando em condição de humilhação um palhaço que veio da Argentina se apresentar no Festival. “A van estava tão cheia que o palhaço ‘Tomate’ perdeu um dos sapatos dele… um descaso muito grande, muito desrespeitoso”, lamentou, um artista em um grupo fechado de mensagens.

O Multi-instrumentista Antônio Porto, divulgou um vídeo em seu Facebook em que está revoltado com toda a humilhação a que os artistas foram submetidos no Festival América do Sul. Veja o vídeo:

Esse é Antônio Porto. Vídeo: Facebook

Outro artista que se apresentou no Festival, Beget de Lucena, disse em um comentário ao vídeo de Porto: “Lucidez e certeza! ✊🏽 fizemos um show impecável e inesquecível, mas eu e minha equipe tivemos que nos desgastar muito, (quase humilhados), para poder conseguir fazer um espetáculo no mínimo digno. Foi lindo, eu sei, mas foi porquê não abaixamos a cabeça pra todos os entraves que nos impuseram. Triste e feliz por ter conseguido. Avante!”.

Outro artista da música submetido a situação de humilhação foi Renatto Jackson. Ele teve que se apresentar com sua banda, em um palco onde já haviam instrumentos cobertos com lonas. A situação gerou uma imagem inacreditável de “backstage”, com metade do telão ao fundo que era utilizado por Jackson ficando com visibilidade obstruída. Veja abaixo:

Renatto Jackson e sua banda se apresentam. Foto: Reprodução

Após a repercussão do vídeo, ontem (30.mai), Antônio Porto postou um texto em sua rede social contextualizando sua indignação com a organização do Festival.

Porto inicia o texto: “Eu, como artista sul-mato-grossense que sou, venho aqui reivindicar abertamente ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul – em caráter de urgência – a interdição e o fim do Festival América do Sul Pantanal, assim como do Festival de Inverno de Bonito”.

Ele segue: “Chega de mentiras, chega de trapaças, chega de balbúrdias bancadas com o dinheiro público destinado ao artista do Mato Grosso do Sul que só tem, praticamente, esse tipo de recurso para sobreviver de arte no Estado. E sim, essa verba é legal e muito necessária em um Estado do qual o investimento privado é praticamente ZERO. E assim como existem verbas destinadas à saúde, segurança, educação, etc… a Cultura é um setor que também precisa de investimento e políticas públicas pois, ela é um dos alicerces da saúde mental e emocional da sociedade. E por isso mesmo precisa ser pensada e, principalmente, difundida por gente de máxima competência. Não, não é por qualquer um mesmo”, definiu.

Para Antônio Porto, Corumbá e Bonito, não merecem ser incluídas em tamanha incompetência de produção do Festival, assim como seus nomes servirem de pretexto para interesses pessoais obscuros .

“Essa reivindicação é para esclarecer que, a minha parte eu estou fazendo. E acho que todos os artistas de Mato Grosso do Sul que fazem questão do mínimo de respeito, deveriam seguir esse exemplo. Chega também de citar ou insinuar nomes. Vamos evitar essa fadiga pois, o Ministério Público tem todos os recursos para descobrir e punir quem deve ser punido por tanto descalabro e descaso com a arte e os artistas de Mato Grosso do Sul, que, na verdade são a causa exclusiva dessa verba fazer sentido de existir”, finalizou.

A denúncia é atestada pela produtora teatral e atriz Fernanda Kunzler, que inclusive, diz que colocaram o palhaço argentino “Tomate” em situação vexatória até mesmo para que ele recebesse seu cachê. “Deixaram a gente na Bolívia, né? E a gente não tinha nem como participar do Festival a não ser nossa apresentação. Levaram a gente, atravessou a fronteira depois da janta, às 19h30 e não podia mais voltar. Não tivemos como participar de outras coisas”, explicou.

Fernanda contou que ficaram alojados na fronteira os principais grupos de teatro e circo de Campo Grande. “Ficaram lá na Bolívia: Teatral [Grupo de Risco], Circo do Mato, [Imaginário] Maracangalha e Flor e Espinho. Porque será?”, questionou Fernanda.

O palhaço “Tomate” deveria receber seu cachê pela manhã da segunda (30.mai.22) e contava com o apoio de um artista sul-mato-grossense te assessorando. A organização do Festival, porém, enrolou o grupo até às 14h para pagá-los. “Uma situação extremamente constrangedora”, disse.

Além de tudo, ao tentar voltar para Campo Grande, o diretor-presidente da Fundação de Cultura (FCMS), Gustavo Arruda Castelo, tentou encaixar uma família numa van dos artistas que estavam hospedados na Bolívia. A família é de um artista do hip-hop, que por fim, acabou ficando em Corumbá após ser constatado que sua família e ele não seriam comportados no espaço de 2 bancos disponíveis na Van. “A situação foi armada para que uma briga entre nós acontecesse”, comentou um artista ao ser atacado pelo outro do hip-hop, conhecido pelo apelido de “Dudu”.

O dono da empresa que recebeu para fazer o transporte com a Van chegou a humilhar os artistas em áudio reproduzido pelo seu motoristas para todos ouvirem: “Quem não quiser ir desce dessa porra e vai à pé”, gritou o empresário contratado pela Máxima Social.

Toda a situação demonstra a total falta de organização do Festival e o desrespeito com os artistas sul-mato-grossenses.

PRÉ-CANDIDATO

Esse é Eduardo Riedel. Foto: Reprodução

O governo de Reinaldo Azambuja (PSDB), fez um pacotão de R$ 79 milhões (em fevereiro de 2022) que deveria ter sido destinado para a Cultura, porém, como mostramos aqui no TeatrineTV apenas alguns setores estão recebendo a colheita do grosso investimento de saída, pois, ao longo dos 7 anos de governo tucano a Cultura foi castigada e amargou uma paralisia em todo o Mato Grosso do Sul.

O pré-candidato tucano ao governo em 2022, Eduardo Riedel, {*} falou sobre o evento que aconteceu em Corumbá (MS). Riedel estacou supostos investimentos e {*} errou dizendo que durante a gestão tucana foi criado o Fundo de Investimento Cultural (FIC). “Um dos fatores que podem otimizar o setor, segundo Eduardo Riedel, é a garantia de recursos. Por isso, sob sua batuta [de Riedel], o Governo do Estado passou a destinar um percentual mínimo no orçamento do Estado para a promoção da cultura, criando inclusive um fundo, o FIC, para fomentar a produção em todos os segmentos da cultura, dando ênfase aos elementos que identificam o sul-mato-grossense e moldam sua identidade”, disse num release com informações distorcidas distribuído pela equipe de campanha de Riedel.

Tais afirmações são errôneas, pois, o Fundo de Investimentos Culturais (FIC) foi criado em 2002 durante o governo de José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT. Na época, o FIC já iniciou com edital de “R$ 4 milhões” que ficou estagnado nos governos seguintes: “de André Puccinelli (MDB) – por 8 anos” e “Reinaldo Azambuja (PSDB) – por mais 8 anos”. Somente em 2022, às vésperas do período eleitoral, finalmente Azambuja anunciou o aumento do valor do FIC, a essa altura, considerado um aumento defasado.

Ainda assim, no release, a campanha de Riedel seguiu apresentando as seguintes informações destorcidas: “Historicamente, é o maior investimento do FIC. No ano passado, o Estado ultrapassou R$ 130 milhões em investimentos no setor”, disse.

Por meio de nota enviada em 6 de junho de 2022 para o TeatrineTV, a equipe de Eduardo Riedel esclareceu que a afirmação sobre o FIC, se tratou de um erro. “Em recente release sobre a Cultura em Mato Grosso do Sul, afirmamos que o Governo do Estado havia criado o Fundo de Investimento Cultural (FIC). A informação não procede”, esclareceu, citando na sequência que o fundo foi criado em 2002, como mostrou a reportagem.

A equipe de Riedel ainda completou em nota: “Neste ano o Fundo disponibilizou R$ 8 milhões (o dobro da última edição). O governo tem o compromisso, ainda, de abrir nova edição em 2022 – com liberação de recursos e execução em 2023 – quando estarão sendo disponibilizados outros R$ 8 milhões. Historicamente, é o maior investimento do IFC. Assessoria de Imprensa do pré-candidato ao Governo do Estado, Eduardo Riedel”, finalizou.

{*} ERRAMOS – RIEDEL NÃO ESTEVE EM CORUMBÁ PARA O 16º FASP COMO NOTICIAMOS ANTERIORMENTE. O PRÉ-CANDIDATO APENAS COMENTOU O EVENTO, DISSE SUA ASSESSORIA. PELO ERRO, PEDIMOS DESCULPAS!

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