Essa é Catiana Sabadin, subsecretária de gestão e estratégia da prefeitura municipal de Campo Grande. Foto: Izaias Medeiros | Câmara Municipal de Campo Grande

Prefeitura insiste na tomada do Armazém Cultural e nova audiência é marcada em Campo Grande

Durante a audiência pública realizada na tarde da quarta-feira (15.jun.22) na Câmara Municipal para discutir a tomada do único espaço público dos artistas campo-grandenses, a Subsecretária de Gestão de Projetos Estratégicos, Catiana Sabadin (foto da capa), deixou claro que a administração de Adriane Lopes (Patriota) não recuará do projeto ‘fechado’ por Marquinhos Trad (PSD). “O Parque Tecnológico já existe, já temos aí um grupo para conduzir isso”, resumiu Sabadin.

“Secretária, deixo bem claro, o seguimento da Cultura precisa do Armazém Cultural. Nossa discussão é: o melhor local é o Armazém Cultural? Porque que não pode ser na Rotunda?”, questionou o vereador Ronilço Guerreiro (Podemos).

Esse é Ronilço Guerreiro (Podemos) – vereador e presidente da Comissão de Cultura em Campo Grande. Foto: Izaias Medeiros

De maneira prática, o projeto visa tomar o Armazém Cultural dos artistas para o transformar num Parque Tecnológico de Inovação, que se chamará Parque Digital — essa é a etapa mais urgente, deixou claro a subsecretária. Para o local vão empresas, startups, universidades públicas e privadas.

O Executivo disse que tem R$ 94 milhões em Caixa para fazer reformas e levar empresas para o local. Catiana chegou a sugerir a divisão do espaço em “50/50”. “Vocês usam 50% e nós iniciamos a instalação no restante”, propôs numa altura da discussão, que terminou sem acordo.

Com o impasse, o vereador Ronilço marcou uma nova Audiência Pública com trabalhadores da cultura para ser realizada no Armazém Cultural, às 9h da sexta-feira (24.jun.22).

AUSÊNCIA DE ESCUTA

Audiência Pública em 15 de junho contou com a participação da vereadora Camila Jara (PT), o Secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, o vereador João Cesar Mattogrosso (PSDB), Carlos Robertos Santos (Planurb) e com a presença de integrantes da Sidagro. Foto: Izaias Medeiros | Câmara Municipal de Campo Grande

A falta de escuta dos principais usuários do Armazém ficou nítida ainda na abertura da fala da subsecretária. “No final, tudo prosperou de forma muito rápida, nós imaginávamos o Parque Tecnológico para 2024 e estamos falando do Parque Tecnológico hoje, já com situações e condições de começar a operar. Nesse sentido, é um projeto muito importante para o desenvolvimento para o desenvolvimento de Campo Grande. É um projeto extremamente importante e estratégico para essa gestão municipal”, apontou Sabadin.

O Armazém é administrado atualmente pela Secretária Municipal de Cultura e Turismo (Sectur). No local, acontecem feiras de artesanato, feiras de orquídeas, peças de teatro, o Campão Cultural, Carnaval de Rua, e utilizados por grupos de dança, música e por aí vai. Apesar de tudo que acontece lá, o Armazém está em vias de virar mais um espaço que abriga empresas de tecnologias e incubadoras da chamada ‘economia digital’.

Bia Barros, vice-presidente da associação das artesãs de Campo Grande, afirmou que há uma necessidade de se manter o espaço a quem não tem outro lugar para trabalhar. “Nós fazemos feiras de artesanato de pelo menos cinco vezes por ano. Feiras até uma vez por mês. Gostaríamos a reforma do armazém e que o setor cultural possa utilizar essa reforma. Saindo da pandemia é necessário que possamos fazer nosso trabalho e que ele fique para a cultura”.

Bia Barros, vice-presidente da associação das artesãs de Campo Grande. Foto: Izaias Medeiros

A audiência da quarta foi transmitida ao vivo no YouTube da Câmara Municipal e gerou embate direto entre artistas, secretários e vereadores . Veja AQUI a íntegra.

‘PERGUNTAS AO AR’

Essa é Catiana Sabadin, durante Audiência Pública na Câmara dos Vereadores de Campo Grande. Foto: Izaias Medeiros | Câmara Municipal

A audiência teve início às 14h e seguiu até às 17h. Várias vezes foi questionado à Catiana pelos artistas e até pelos vereadores onde ocorreriam as ações culturais se o Armazém virasse o Parque Digital? Catiana, porém, não respondeu essa pergunta. Se apegou ao discurso de que “o projeto é uma forma de ativar o uso do espaço, mas não exclui o artista, não exclui a cultura”. Apesar disso, o espaço nunca esteve “desativado”, como ela sugeriu para captar o recurso junto ao Governo Federal. Inclusive, o secretário de Cultura Max Freitas, causou tensão na mesa da audiência ao dizer que: “pessoas deveriam ter um pouquinho mais de respeito ao dizer que o Armazém estava obsoleto”. Max também disse que a Sectur foi ‘ignorada’ ao longo da formatação do projeto do Parque (veja sobre isso abaixo).

A Sectur, entretanto, não foi a única “atropelada”. Como mostramos aqui no TeatrineTV, em 23 de novembro de 2021, o então prefeito Marquinhos Trad reuniu-se no Paço municipal com os 42 membros do Grupo Especial de Estudo para o Parque digital, pessoas de vários órgãos públicos e privados e apenas dois representantes da Cultura: Carla Aparecida de Campos Melo e Rose Aparecida Borges, do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC). E um representante de patrimônio, o professor de história Roberto de Figueiredo, do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico (CMPPH). Esse último, anunciou em grupos colegiados e no Fórum de Cultura que apesar de terem inseridas duas agentes culturais no Grupo de Estudo, as sugestões delas foram amplamente ignoradas.

Carla confirmou a denúncia de Roberto: “Infelizmente tudo que colocamos não foi colocado em prática e eles não tem pretensão alguma de mudar a Estação Digital de local. O Armazém vai ser tomado com a desculpa de estar desocupado e não estar sendo utilizado e se deteriorando. Falas que eu escutei na reunião a qual fui convidada a estar presencialmente. Me desculpem dizer isso, mas parece que quem está gerindo esse processo não tem noção da produção cultural da nossa cidade”, atestou Carla, numa mensagem ao grupo do Fórum Municipal de Cultura.

Após a denúncia de Carla ser publicada no TeatrineTV em 3 maio e de o vereador Valdir Gomes (PSD) levar à plenária da Câmara, enfim, foi agendada essa audiência pública para discutir a ‘tomada do Armazém’ da classe cultural.

Com mais de 1 milhão de habitantes, a capital de MS não tem sequer um teatro público disponível para ensaios e atividades gratuitas à população. Havia o Teatro José Octávio Guizzo do Paço Municipal, que foi tomado há 32 anos dos artistas e transformado em uma sala de reuniões e pronunciamentos do Executivo. O Armazém pode ter o mesmo destino, caindo nas garras do empresariado.

Ironicamente, a ‘carcaça desse projeto do Parque’ e o interesse por um prédio histórico da cultura surgiu numa pasta bem distante…

SIDAGRO: ‘BORRACHA E LINHA DE FERRO

O secretário da Sidagro, Adelaido Vila em Audiência Pública na Câmara Municipal sobre o Parque Digital. Foto: Izaias Medeiros | Câmara Municipal

O projeto do Parque Digital foi idealizado pela Secretaria Municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio (Sidagro), tendo sido iniciado na gestão Rodrigo Terra (exonerado para comandar a campanha de Marquinhos Trad).

Na Audiência da quarta, a Sidagro estava sendo representada pelo atual secretário Adelaido Vila — Adelaido Luiz Spinosa — nomeado em 6 de maio de 2022, isso é, 3 dias depois da nossa primeira reportagem. Como pegou o “bonde andando”, as falas do secretário na audiência não contribuíram em muita coisa, mas, fizemos o extrato:

“Eu sou filho dessa terra, vivi os processos culturais fazendo teatro, fazendo movimento cultural e entendo que a cultura precisa ser cada vez mais profissionalizada, para que ela possa ter a sua independência”, iniciou Adelaido, na audiência.

O secretário é consultor e especialista em varejo. Sua fala sobre o Parque girou em torno da ambição comercial e dos lucros que pode trazer o Parque Digital. Na análise de Adelaido, a cultura precisa entender “NFTs” e questões tecnológicas. Apesar de ser a Sidagro quem está tentando tomar o prédio que é dos artistas, o secretário fez toda a sua fala em tom de convite {à} cultura, para integrar o projeto do Parque. “A gente vai ter que repensar cultura, a gente vai ter que repensar tecnologia. Ninguém veio aqui e nem esse projeto existe para excluir ninguém. Porque todo esse contexto, esse envolvimento, com verba federal, verba municipal ele tem um grande objetivo de nos colocar antenados e preparados para tudo que há de mais moderno hoje, em termos de país e de mundo”, sustentou.

Em determinada parte da sua fala, Adelaido disse que é “preciso estudar o projeto” antes de questioná-lo. Entretanto, em a contribuição do secretário à Audiência Pública foi quase nula. Foto: Izaias Medeiros | Câmara Municipal

Por meio de uma metáfora, o secretário disse que os trabalhadores de cultura da Capital precisam deixar chegar a ‘borracha ao asfalto’. “Eu me lembro quando eu era criança e sou neto de ferroviário. E meu tio transportava ali na ferroviária com o famoso ‘beiçudo’, um cavalo que ele tinha, ele era charreteiro. E houve uma grande mobilização nessa cidade, eu tinha uns 4, 5 anos de idade, os carroçeiros se uniram e fizeram um grande protesto na Câmara dos Vereadores, por conta de o prefeito da época ter exigido o rodado de borracha, em substituição ao rodado de madeira. Porque o rodado de madeira, ele acabava prejudicando e danificando o início do asfalto em Campo Grande. E me lembro hoje do meu tio defendendo o rodado de borracha, que mais tarde acabou contribuindo com aquelas carroças”, comparou o secretário.

“Eu fico olhando para aquele prédio ali, aquela região, da nossa gloriosa Noroeste do Brasil e fico imaginando antes de 2014 [errou]* que foi a data que foi lançada a primeira viagem de trem. Quanto aquelas pessoas sofreram imaginando o que seria uma estação ferroviária naquele lugar? Como seria? Quem chegaria? Quantas pessoas viriam junto com aquela ferroviária? Eu fico imaginando os impactos que nós campo-grandenses sofremos, né? Lá em 1914 [corrigiu]*“, disse.

Para Adelaido, quando Campo Grande começou a fazer as viagens ferroviárias, a cidade mudou o eixo econômico. “Um eixo onde nós estávamos isolados. Ali é um lugar diferenciado, é um lugar de inovação, é um lugar de grandes mudanças culturais e o que se propõe hoje aqui não é exclusão de maneira alguma é convidá-los a participar desse processo, para que possamos construir cultura não somente na ótica que nós temos hoje, mas cultura para novas gerações”, continuou.

O secretário disse ainda que o convite da Sidagro à cultura é semelhante ao movimento de 1914 com a chegada da ferroviária na Capital. “Pensando em fazer Cultura no ‘metaverso’. Entendendo o que significa as ‘NFTs’ e desenvolvendo em cima disso. Trazendo movimento, trazendo pessoas, integrando a cidade, assim como nós tivemos lá em 1914, quando a estrada de ferro chego e mudou a cara de Campo Grande. Esse é o grande convite e nós da Sidagro, vereador Ronilço, estamos nos colocando de braços abertos para construir junto essa discussão. O grande objetivo desse investimento não é desabrigar ninguém”, ofertou.

“Nós viemos aqui hoje em nome da Sidagro, em nome da prefeitura Municipal de Campo Grande, convidar a todos para fazer parte desse grande movimento. E vamos começar a tecnologia pela Cultura, esse é objetivo”, finalizou.

CARROÇA ATROPELOU TUDO

Camila Jara (PT) em Audiência Pública sobre o Armazém Cultural. Foto: Izaias Medeiros

Catiana Sabadin, por outro lado, é grande conhecedora do projeto. Ela explanou o processo de conquista da verba para implementar o parque. Vale destacar que a secretária disse ao Governo Federal que o Armazém estava obsoleto, segundo ela, para “poder garantir a verba”.

A subsecretária falou muito em economia criativa, defendendo que o Armazém é o local ideal. “O município entende que esse projeto fomenta a Cultura. Na metade do ano passado algumas discussões começaram no município, onde a gente tinha aí, toda a área da Explanada Ferroviária, que é um parque municipal de 94 mil metros quadrados, onde o município precisava de recursos para revitalização, para reabilitação urbana e para o restauro de unidades, ali. Especialmente a Rotunda e aqueles armazéns específicos ali, que são bens tombados do município de Campo Grande”, iniciou, confirmando que há muito o projeto vinha sendo formulado nos bastidores.

Catiana narrou com exatidão as fases do documento (projeto do Parque) que publicamos no TeatrineTV (veja aqui), o qual, anteriormente, eles já haviam dito que era um “projeto aberto para alterações”.

Início… Catiana disse que a equipe de Planejamento e Estratégia fez viagens ao Porto Digital de Recife e até a cidade de Florianópolis e, ao citar tais visitas, Sabadin destacou que instalações de Parques Digitais ‘salvaram’ locais degradados e que precisavam de ativação econômica, fazendo crer que essa era a situação do ‘Armazém’. “Entramos em contato com o Ministério de Desenvolvimento Regional, que tinha aberto uma linha de financiamento que chamava Pró-cidades: Reabilitação Urbana. E que tinha também uma outra linha que envolvia Pró-cidades/Cidades Inteligentes. Entendemos que esse projeto envolve essas duas temáticas: soluções de cidade inteligente e tecnologia e reabilitação Urbana, no sentido de pegar um espaço já degradado e que precisava de ativação econômica, para que a gente conseguisse gerar maiores possibilidades para todos os setores e especialmente para a cultura que já utiliza aquele espaço. E aí, encaminhamos uma carta-consulta para o Ministério de Desenvolvimento Regional, através da Caixa Econômica Federal e no início desse ano fomos selecionados com R$ 94 milhões para fomentar todo o Parque da Explanada”, narrou.

Um frame do projeto intitulado ‘Parque Digital’ a ser implantado em prédio da Cultura em Campo Grande, para usufruto de empresários.

Divisão da verba… “Dentro desse Parque da Explanada, está o Parque Tecnológico. E para entender o que é esse projeto: dentro dos R$ 94 milhões está o restauro das duas casas onde hoje é o Gabinete do Prefeito — o Instituto Geográfico — e a outra casa ao lado, que está tombada, para que a gente pudesse fazer os restauros necessários. Então, a gente conseguiu um recurso que é muito difícil do município conseguir, de restauro para Patrimônio Histórico, porque a gente colocou a questão da tecnologia no processo”, apostou Sabadin.

“Conseguimos o recurso do valor que a gente pleiteou, para o restauro do complexo da Rotunda, incluindo os galpões e o seu entorno, dos R$ 94 milhões, R$ 44 milhões são específicos para esses restauros e adaptação para que o setor cultural possa utilizar, um espaço que já é tombado e que eu acho que tem muita atratividade para muitos tipos de exploração por parte da economia criativa e da cultura”, argumentou.

“E nesse valor está também, então, uma reforma, adaptação com Corpo de Bombeiros e com toda parte de fibra e de estrutura tecnológica necessária, como internet, armazenamento de dados, para o Armazém Cultural e para a requalificação das nossas 4 incubadores que estão nos bairros, transformando essas incubadores num novo modelo de negócio. Como eu falei, a gente não vive mais numa era industrial, a gente vive numa era pós-industrial, onde a tecnologia hoje é o motriz do desenvolvimento. E adaptando essas incubadoras, então, para esse novo conceito do Parque Tecnológico, transformando elas num hub tecnológico se inserindo nesse processo todo, para esse Parque que a gente está requalificando”, acrescentou.

Conclusão… “Então, a gente conseguiu os recursos para restaurar todas as estruturas tombadas. Para adaptar e fazer toda a tecnologia necessária no Armazém Cultural. Para ter um espaço para o Parque Tecnológico, para startups, para economia criativa, para o artesanato, que está lá dentro pensado. Para gravação, então, esse espaço não exclui a Cultura! É uma questão muito importante da gente deixar aqui muito claro. Ele tem um espaço também para a cultura! E também os recursos necessários para urbanizar todo o Parque, cercar todo o Parque, fazer um paisagismo e a gente transformar ali num local de inovação, de irradiar e promover realmente uma revitalização em todo aquele entorno que é tão importante para a cidade de Campo Grande.

AJUDA DA SIDAGRO

Integrantes da Sidagro e da Secretaria de Catiana Sabadin. Foto: Izaias Medeiros

Além disso, Sabadin revelou que Sidagro fez esforços pleiteando mais R$ 7 milhões via governo federal para tornar o Parque um tripé: “Nesse meio tempo, também, a gente viu que tinha um edital, o pessoal da Sidagro está aqui, deixa eu fazer esse referência para o pessoal que fez essa carta-consulta, encaminhou essa proposta. Nós vimos que existia um edital aberto da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], muito importante para fomentar a criação de Parque Tecnológico e nós remetemos uma proposta, colocando aí a maturidade de Campo Grande, a nossa Lei de Inovação que essa Casa aprovou recentemente e que consolida todo esse projeto, a nossa nova Lei do Prodes [Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Social de Campo Grande], essa nova concepção das incubadoras… e obtivemos, com recurso dado do governo federal, através do Orçamento Geral da União, obtivemos não, o resultado sai dia 30! Eu tô, acho que eu tô achando que a gente vai conseguir, porque a gente fez uma defesa que eu acredito que foi muito exitosa. Dia 30 do 6, sai o resultado, onde nós pleiteamos mais R$ 7 milhões”, comentou.

Esse outro montante, segundo Sabadin, seria conseguir os ‘equipamentos necessários’ para estruturar o Parque Tecnológico, as incubadoras e também todo Marco Regulatório necessário. “Para que a gente coloque o Parque em operação, numa gestão que dissocie gestões públicas administrativas, específicas públicas. A gente entende que o Parque tem que ter um tripé, ali: poder público, iniciativa privada com academia e a ciência junto”, explicou.

As universidades também foram convidadas a ocupar o espaço cultural. “Nesse sentido, já nessa proposta da Finep, a Universidade Federal está junto com a gente. A Fapec está junto com a gente, procuramos todas as universidades. Já criamos, então, nosso Marco Regulatório todo, a nossa Lei de Inovação Tecnológica já foi aprovada. Foi criado nesse meio tempo, um núcleo de discussões, conduzido lá pela Sidagro, depois acho que o secretário pode falar um porquinho melhor, como foi a condução”, detalhou, Sabadin.

Pelas falas da subsecretária, fica claro que todo o processo caminhou atropelando qualquer escuta popular e inclusive dizendo que um espaço público cultural aquecido estava ‘obsoleto’, só para que a equipe da prefeitura conseguisse a verba federal.

SECRETARIA DE CULTURA

Esse é o secretário de Cultura de Campo Grande, Max Freitas. Foto: Izaias Medeiros

Na ponta esquerda da mesa, o secretário de Cultura, Max Freitas não poupou palavras, quando chegou a sua oportunidade de falar sobre o projeto do Parque Digital.

“Eu estou na área da Cultura há 20 anos em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, fora. O grande problema se iniciou e agora acho que inicia-se uma mudança, inclusive quando o secretário Adelaido assumiu, nos procurou e me perguntou o que que eu achava. Eu falei para ele o seguinte: ‘um certo dia, sempre só escutando. Ó, tão medindo o Armazém, tão medindo o Armazém, tão medindo o Armazém… tá bom! Não falaram o porque, ‘pra que’, porque e com quem está gerindo o espaço. Importante falar que a pessoa falou, mesmo sendo gestou eu tenho que falar isso… que era um espaço obsoleto. Eu gostaria que essa pessoa tivesse, tivessem tido um pouquinho de respeito e que mesmo em dois anos de pandemia, todos 15 dias por mês foi ali que foi transformado nosso cenário das lives. Durante dois anos, com pandemia! Obsoleto?”, questionou Max

O secretário de cultura disse que após a pandemia teve a feira de artesanato, Campão Cultural. “Se eu for começar a enumerar aqui para vocês, é complicado. O Parque Tecnológico é importante, mas a Cultura também é importante, o espaço é importante! No dia que me apresentaram, já existia algo pronto. Eu fiz o seguinte questionamento: vocês consultaram o Conselho de Cultura? Vocês conversaram com o Conselho de Patrimônio? Foi então que chamaram um representante de cada conselho e apresentaram o projeto, pronto! Um artista que eu conheço ele não representa um classe. Essa é sinceridade! O espaço é cultural, o espaço é importante, o espaço é importante para o Parque Tecnológico, o espaço é importante para a Cultura, acima de tudo, o espaço é importante para a população campo-grandense”, continuou, Max.

O secretário disse que é importante manter o espaço do Armazém para a cultura. Foto: Izaias Medeiros | Câmara Municipal

Na sequência, Max questionou: “O Armazém precisa, respira Cultura, respira história, respira patrimônio. A hora de negociar é agora, mas ninguém se perde nada. Vamos ganhar o Parque? É esse o compromisso, vamos achar a melhor maneira de implantar o Parque, acho que a região é importante, não de indústrias! Que Inclusive, a pergunta é: os carnavais não vão sair de lá? Não devem! Os blocos, é dali. Quando eu estava no governo, eu tive uma desavença com um pessoa que queria embretar os blocos de carnavais de rua dali. A pergunta: com o Parque, vão querer tirar os blocos de carnavais de lá também? Não podemos! Vamos parar de fazer os desfiles das escolas campeãs? Aonde necessita de um pé direito altamente devido a sua fantasias altas… A primeira proposta, então, o recurso está em Campo Grande, não podemos perder, mas também não podemos perder o Armazém um espaço de eventos”, disse.

Diante do exposto, Catiana acabou por reconhecer que todo o processo do Parque atropelou a escuta popular e até mesmo a secretaria de Cultura. “Eu entendi agora com a fala do Max, talvez o processo não tenha sido a forma mais democrática, ou a forma que ele foi apresentado é muito mais uma concepção inicial para tentar um recurso”, esquivou-se.

“A minha equipe está aqui hoje também. Esse projeto foi todo conduzido pela Sidagro. A nossa equipe tem um sensibilidade muito grande com o patrimônio. Porque aquele espaço, inclusive, é tombado. Nós estamos pensando num projeto integrado, para estimular usos…”, continuou Sabadin, como se rezasse uma cartilha.

Claramente nervosa, quando foi para comentar a questão de ter chamado o Armazém de ‘obsoleto’, a subsecretária se esquivou dizendo “eu não entro nesse mérito”. Na sequência Sabadin voltou a dizer que está falando de “economia criativa”. “Estamos falando de um tipo de atuação de gente muito criativa, a gente fala de economia criativa nesse processo, que envolve esses gênios que saem de universidades e que precisam de um espaço muito pequeno para criar ali aplicativo. Estamos falando de um modelo de negócio que não precisa de espaço, não estamos falando de indústria. Estamos falando de gente que tem cérebro, que tem sensibilidade e que desenvolve tecnologia também e que casa muito bem com a questão cultural, com a questão dos artistas, que ativa o espaço”, contestou, Sabadin.

A subsecretário também disse que contra tudo e contra todos conseguiu implementar um projeto de quase R$ 200 milhões no Centro. Para Sabadin, o Parque Digital ‘complementa’ todas as ações que o município está fazendo. “Eu proponho aqui, vamos dividir esse espaço nesse momento, até a gente ter tudo implantado. Porque, porque eu estou pedindo encarecidamente que a gente implante ou comece? A gente não pode, o Parque já existe, o Parque é uma Lei. E a gente já tem uns cerebrozinhos que querem um espaço para começar a trabalhar. E nós precisamos criar o arcabouço do arranjo que vai ser dessa questão específica do Parque Tecnológico. Vamos dividir o Armazém Cultural. A gente mantém as datas, todas as datas pactuadas e vocês só saem de lá quando a gente tiver a Rotunda e os outros galpões totalmente requalificados”, propôs, dizendo que o Armazém é importante [para a Sidagro] porque ele já está construído. Sabadin voltou a dizer que “metade do Parque é para a cultura”.

Por fim, a secretária assumiu que a condução talvez não foi da melhor forma porque a Sidagro “teve que correr”.

Esse é o vereador Valdir Gomes (PSD). Foi o primeiro a atender a demanda do setor cultural que vinha sendo ignorado no processo de implementação do Parque Digital. Foto: Izaias Medeiros

“Eles teriam ter que participado desde o início. Houve exclusão, não ouviram eles. Vamos ter que fazer um outra rodada para a gente poder achar uma saída favorável os dois lados. Dessa reunião, nós temos que ter uma nova rodada. Meu encaminhamento é conversar, de imediato”, disse o vereador Valdir Gomes.

Ainda no final, a subsecretária voltou a indicar a urgência de implementação do projeto em razão do recurso da Finep. Porém, esse recurso ainda não estava nem garantido no dia da audiência, pois, o resultado sai dia 30 de junho, como a própria subsecretária indicou.

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