Essa imagem aérea durante show no Campão Cultural na Esplanada Rodoviária. Foto: Vaca Azul

“O Armazém Cultural é da Cultura”, reafirmam mais de 370 artistas em abaixo assinado

Para livrar o Armazém Cultural das garras da Secretaria Municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio (Sidagro), mais de 370 artistas já assinaram um abaixo assinado reafirmando que o “Armazém Cultural é da Cultura”. 

Mostramos aqui no TeatrineTV que a Sidagro, da prefeitura de Campo Grande, tenta tomar o prédio cultural para implementar no local um Parque Digital. O imbróglio está longe de um fim porque a Prefeitura segue ignorando a orientação dos artistas de que se busque outro espaço em que o Parque possa ser implementado. Já ocorreram 2 audiências públicas, sem nenhum resultado. Veja como foi a 1º audiência no link abaixo:

Saiba mais >> Prefeitura insiste na tomada do Armazém Cultural e nova audiência é marcada em Campo Grande

O projeto do Parque de R$ 94 milhões oriundo do Ministério do Desenvolvimento Regional teve início há no mínimo 1 ano, porém, somente em 2022 que a Cultura tomou conhecimento de que o local almejado para implantação do referido parque era o único espaço público ainda aberto usado pela Cultura: o “Armazém Cultural”. 

A prefeitura chegou a empossar um grupo de estudo com 2 agentes culturais, que ao longo do desenvolvimento do projeto tiveram nulidade de voz. Eles diziam: “O Parque não pode usar o Armazém Cultural, pois o espaço é o único aberto à Cultura na cidade”, mas foram ignorados. Registramos essa denúncia no link abaixo:

Saiba mais >> Projeto feito na surdina quer ‘tomar’ único espaço da Cultura em Campo Grande

A Capital de MS não tem nenhum teatro público e acumula obras culturais paralisadas, a exemplo do Centro de Belas Artes, iniciado na gestão Nelsinho Trad — prefeito há 30 anos, pelo PMDB. Desde então, a obra ficou estacionada na gestão do prefeito André Puccinelli (PMDB), Alcides Bernal (PP) e, em 2022, Marquinhos Trad (PSD) chegou a retomar a obra, porém, a Orkan Construtora, de Sidrolândia, apesar de vencer a licitação de R$ 4 milhões, não iniciou os trabalhos levando a quebra de contrato no mês passado.

Diante do drama vivido pelos artistas com “0” espaços públicos, o Armazém se tornou um ninho cultural abrigando diversas atividades, inclusive no local deve ocorrer o 2º Festival Campão Cultural (Fundação de Cultura de MS) e o  1º Festival Reviva Mais Campo Grande Cultura e Turismo (Secretaria de Cultura e Turismo), ambos programados para acontecer entre agosto e dezembro de 2022 (mais sobre isso aqui no TeatrineTV).

Além disso, o Armazém abriga feiras, exposições de artesanato, exposições de artes plásticas (o TeatrineTV cobriu uma Vernissage na semana passada na Galeria de Vidro).

2ª AUDIÊNCA PÚBLICA

Representantes de diversas linguagens artísticas durante 2º audiência pública dentro do Armazém Cultural em 24 de junho. Foto: TeatrineTV

Em uma 2ª Audiência Pública com os artistas e representantes da Associação do ferroviários de Campo Grande, o secretário da Sidagro, Adelaido Vila e a secretária Catiana Sabadin defenderam novamente que o local é o ideal para implementação do Parque. Porém, os artistas não querem que o local seja tomado para se tornara mais uma das muitas obras culturais paralisadas e ainda, deixar os eventos culturais sem nenhum espaço para acontecer.

A ultima audiência pública aconteceu na manhã de 24 de junho, convocada pelo vereador Ronilço Guerreiro — que sabe do projeto desde o início, mas não comunicou a Cultura da cidade. Nesse momento, Ronilço se coloca como um pacificador, para fazer com que “ambos os lados saiam ganhando”.

Ronilço Guerreiro (Podemos). Foto: TeatrineTV
Ronilço Guerreiro (Podemos). Foto: TeatrineTV

Segundo o comunicado, naquele ato, seriam apresentados aos artistas ‘croquis’ de como seria usado o espaço do Armazém pelo Parque, mas nada disso aconteceu. A reunião foi uma “dobradinha” da primeira audiência, em que se repetiram as sustentações, mas sem nenhum material técnico apresentado nem por Catiana e nem pelo secretário Adelaido Vila. Esse que chegou a afirmar que faltava conhecimento e compreensão do artistas sobre o projeto, apesar de esse ter sido disponibilizado na íntegra aqui no TeatrineTV, amplamente acessado. “É um absurdo, a gente tinha que ter mais espaço para a Cultura […]. Eu entendo que não compreender como funciona não é culpa das senhores e das senhoras. Até para que eu possa dizer que eu não ‘quero aquilo’ ou não ‘quero isso’, vamos entender o que é? Se vocês entenderem, olharem para aquilo, compreenderem e a partir daí disserem: não queremos! Certo gente, é um direito que vocês tem. E a gente respeita o direito de cada um. É assim que funciona! Agora, pela amor de Deus, a gente não pode dizer que não quer uma coisa sem saber o que é. Vamos aprofundar”, esbravejou Adelaido.

O secretário da Sidagro, Adelaido Vila. Foto: TeatrineTV

“A gente não pode simplesmente se negar a ouvir e criar uma resistência sem aprofundamento. Cada um tem sua opinião e opinião a gente discute em outro lugar. Vamos todos nós estudar esse projeto”, continuou Adelaido dizendo. “Vamos estudar, vamos tirar a dúvida um do outro. Se continuar do jeito que aqui está a gente corre risco de isso aqui se tornar um local esquecido”, completou.

Adelaido falou por muitos minutos até ser interrompido efetivamente após o grupo que o ouvia se sentir desrespeitado por suas falas. Vale lembrar que para aprovar o projeto do Parque no Ministério, a secretária disse que foi preciso dizer que o Armazém era um “espaço obsoleto”.

O ARMAZÉM CULTURAL ESTÁ ATIVO

Armazém lotado durante o Campão Cultural em 2021. Foto: Vaca Azul

Próximo a Feira Central, o prédio é utilizado para diversas ações culturais e conta um pedaço da história de Campo Grande, pois é a primeira estação de passageiros construída em madeira inaugurada em 1914. Na década de 1920, a estação foi substituída por um prédio em alvenaria.

Num link onde o abaixo assinado está disponibilizado, os artistas dizem que o pavilhão com duas partes de corpo central e simétrico perdeu sua função original. “Mas por pouco tempo, já que em 2009 voltava a viver, vibrar com o fervilhar de pessoas que tomavam todos os seus espaços com as mais diversas atividades ligadas à arte e a cultura: Artes plásticas, Artes visuais, espetáculos de Dança e Teatro, performances, shows musicais, exposições de artesanatos, exibições e gravações de vídeos etc. Enfim, várias atividades artístico-culturais deram nova vida e vida e ressignificação a este espaço”, dizem.

Ainda no texto do abaixo assinado os artistas lembram que arte fez o sofrimento do período pandêmico ser mitigado. “Um novo tempo assolou o mundo e a arte, que mitiga dores e sofrimentos, nos fez rir, nos fez sonhar, nos fez esperançar, como seres humanos. A arte e nossos artistas se fizeram presentes! Resistindo! Alimentando corpos e mentes combalidas e a arte cura. A arte cria. A arte resiste. A arte nos faz humanos”, destacam.

Local abriga uma das 5 maiores feiras de orquídeas do País. Foto: Redes

Ainda segundo o texto publicado pelos artistas, ao longo da pandemia, foram inúmeras atividades realizadas no Armazém Cultural e no Complexo da Esplanada Rodoviária. “Espaço que tão bem nos acolheu e com o qual nos identificamos. Podemos dizer que é o quintal da nossa casa e sendo nós, pertencentes a este espaço, manifestamos veementemente a nossa discordância com a ocupação para outros fins que não sejam a arte e outras atividades culturais”, dizem. 

O Armazém Cultural além de compor o complexo arquitetônico da Esplanada Ferroviária de Campo Grande, abriga parte da história e desenvolvimento do Estado.

Os artistas dizem que isso significa para a sociedade sul-mato-grossense o “símbolo de nossa história, guardadora da memória cultural de nosso povo. É ainda, um dos poucos espaços culturais da cidade aberto a realização de atividades sociais e artístico-culturais, com capacidade para cerca de mil pessoas”, completam. 

Apresentação circense reuniu milhares de pessoas na explanada rodoviária;

“É um patrimônio de Campo Grande! Um bem inominável dos mais significativos momentos de desenvolvimento histórico, social e econômico desta Capital. É inadmissível que frente a tamanha necessidade de utilização deste espaço para o fim ao qual foi destinado há anos, seja agora tomado por projetos que não possuem demanda social, popular e cultural dos/as habitantes deste lugar! Toda classe artística desta cidade vem a público dizer NÃO à instalação do projeto Parque Tecnológico no Armazém Cultural. Se há interesse de instalação deste projeto, que seja em um outro local da cidade, já que há tantos espaços obsoletos e que abarcaria bem o Parque Tecnológico, como por exemplo, a antiga rodoviária, por exemplo”, sugerem. 

“O Armazém Cultural é nosso! E está em utilização! Não é um espaço obsoleto! Portanto, reivindicamos aos órgãos competentes a paralisação deste projeto tecnológico nesta área. Salvem o Armazém Cultural da exploração imobiliária e redes de fortalecimento do capital. Armazém Cultural é nosso! É de nossa cidade para fins Culturais e artísticos!”, finalizam.  

Os artistas convidam a população a assinar o abaixo assinado para impedir que o local seja tomado por empresas e pelo secretaria do agro da Prefeitura de Campo Grande. CLIQUE AQUI para apoiar a causa dos artistas.

PREFEITA IGNORA APELO DOS ARTISTAS

Essa é a prefeita Adriane Lopes, durante coletiva à imprensa nesta quarta-feira. Foto: TeatrineTV
Essa é a prefeita Adriane Lopes, durante coletiva à imprensa nesta quarta-feira. Foto: TeatrineTV

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (Patriota), apesar do apelo dos artistas, disse nesta quarta-feira (13.jul) que até setembro deve licitar o Parque Digital.

Atropelando a orientação, Lopes quer colocar em prática o projeto herdado da gestão Trad. Ela disse que “há um espaço” para a Cultura no projeto, repetindo a afirmação de haverá um “estúdio” para gravações. A prefeita, entretanto ignora que não há um só espaço público devido para as atividades artísticas que acontecem no Armazém. Inclusive, projetos da prefeitura. Tais atividades não vão poder acontecer dentro de um “estúdio de gravação”.

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