Descaso com Centro de Belas Artes não mina esperança de quem quer ocupar o espaço com cultura

Mesmo sem uma possível data de entrega ou previsão para concluir as obras do Centro de Belas Artes, abandonado há cerca de 30 anos, a classe artística de Campo Grande ainda mantém a esperança de que um dia o local seja um espaço público para manifestação das mais diversas expressões culturais. 

De acordo com a prefeitura de Campo Grande, não existe um prazo determinado para que a obra seja concluída porque, em um primeiro momento, será executada apenas 20% dos 16 mil metros quadrados que compõem o espaço e, só então, o Executivo viabilizará recursos para a construção do restante. 

Diante dos vários imprevistos destas três décadas, a classe artística de Campo Grande se mantém esperançosa sobre um dia poder usufruir do espaço e ter um local público que possa ter tomado pela arte e pela cultura.

Ao Teatrine TV, a coordenadora do Fórum Municipal de Cultura, Romilda Pizani, afirmou que, apesar do descaso do Poder Público em relação à Arte e Cultura, a categoria ainda mantém a esperança de ter um espaço adequado na Capital. 

“A esperança é o que nos move. A classe artística desde sempre luta para ter um espaço em Campo Grande e, também, no Estado. Queremos que a arte seja reconhecida, bem como os fazedores de Cultura”, enfatizou. 

Pizani ainda acrescentou que a obra do Centro de Belas Artes se arrastar por 30 anos só mostra como as gestões municipais não priorizaram a Arte da Capital que, de acordo com ela, é sempre posta em terceiro plano.

“Essa obra é uma das ações diretas e visíveis de como a Cultura é tratada , mas não faz a gente perder a esperança. Nós lutamos para que as políticas públicas não sejam pontuais, mas sim, contínuas. A falta de espaço público está ligada à falta de valorização da Cultura”, afirmou. 

Por sua vez, a produtora cultural que faz parte da coordenação do Fórum Estadual de Cultura de Mato Grosso do Sul, Caroline Garcia, lembrou que todo o imbróglio envolvendo a obra também acaba por desperdiçar recursos públicos, já que toda vez que a obra é retomada são feitos investimentos financeiros que acabam em nada. 

“Acho lamentável que a Prefeitura não leve a sério a questão cultural, mas eu tenho esperança porque a cultura colabora com o desenvolvimento da cidade, então, eu sempre espero que o objetivo de entregar a obra se cumpra”, pontuou. 

A demora para concluir a construção do espaço, que se tornou um “elefante branco” da cidade, vem de encontro à reivindicação de espaços públicos para que a classe artística possa fomentar a cultura na Capital, com apresentações, exposições, mostras, teatro e quaisquer outras manifestações. 

Um exemplo dessa reivindicação são as manifestações contrárias da classe artística à ocupação do Armazém Cultural, na Esplanada Ferroviária, para a instalação de um Parque Tecnológico, o que acabaria com o único espaço público ainda disponível na cidade para a ocupação artística.

Apesar de toda a revolta causada por esse planejamento, a prefeitura pretende dar andamento e não voltar atrás na decisão de usar o Armazém para esse fim. 

Em relação à essa causa, Pazini afirma que “a luta por esse espaço ainda não terminou”. 

Desistência e nova empresa

Após a desistência da empresa contratada para dar andamento à obra do local, a prefeitura de Campo Grande chamou a 2ª colocada na licitação para que assuma a construção. Conforme já explicado, a empreiteira será responsável por apenas 20% da metragem total. 

Diante deste impasse, o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, afirmou que nem mesmo essa pequena porcentagem tem prazo para ficar pronta.

“Agora estamos na fase de dar ordem de serviço e, depois, a empresa tem 30 dias para começar a obra. Ela teria um ano para concluir”, explicou ao Teatrine. 

O titular da secretaria ainda acrescentou que a maior parte restante do projeto depende de uma Parceria Público Privada (PPP), que só poderá ser feita com a conclusão da primeira porcentagem. 

“Não tem prazo para entregar todo o espaço porque depois de terminar essa parte, a prefeitura ainda tem que viabilizar recursos”, concluiu.

“Esta reportagem foi produzida com apoio do programa Diversidade nas Redações, da Énois, um laboratório de jornalismo que trabalha para fortalecer a diversidade e inclusão no jornalismo brasileiro. Confira as metodologias na Caixa de Ferramentas

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