Apesar dos obstáculos, Brava resiste e planeja reabrir ainda este ano

Após passar pelo período de pandemia e enfrentar dificuldades para se reerguer, a Brava, um dos únicos espaços culturais colaborativos de Campo Grande, planeja reabrir as portas oficialmente ainda este ano. 

Sem data confirmada, Kenzo Minata, um dos três sócios do local, afirmou ao TeatrineTV que, após uma breve parceria com o Bar Zé Carioca e uma agenda itinerante, os eventos promovidos pelo trio entrou em um novo hiato neste mês para que todas as energias sejam focadas no retorno em um lugar fixo. 

“Esse mês de setembro estaremos em off, tentando viabilizar nosso retorno físico. Esses meses que ficamos com agenda itinerante acabaram tirando nosso tempo para agilizar essa parte”, explica Minata. 

Ele ainda acrescenta que a principal dificuldade continua sendo a falta de incentivo e de políticas públicas que, por exemplo, facilitem os processos burocráticos para abrir um ponto de encontro e de cultura na Capital. Esses problemas já perseguem os sócios há anos, desde a época que tocavam o Resista!, outro projeto que teve de ser paraliasado em 2018. 

Kenzo explica que a Brava teve que fechar seu local físico em 2020, em decorrência da pandemia. Contudo, agora os editais públicos retornaram, mas o único apoio que conseguem é a autorização para o uso de espaços públicos, nunca um incentivo estrutural. 

“O cenário pós-pandemia voltou com os editais e tem sido a salvação da classe artística, mas ainda seguimos de forma 100% independente. Conseguimos apenas autorização para uso do espaço público, mas nunca tivemos apoio com estrutura, apesar de já termos pedido”, detalha. 

Para tentar manter a ideia de colaboração ativa, apesar da falta de espaço físico, os sócios firmaram uma parceria com o Bar Zé Carioca, entretanto, ela precisou ser desfeita após os vizinhos do local terem problemas com o público, de acordo com comunicado divulgado nas redes sociais da Brava. 

Aliás, outro ponto que gera bastante conflito e dificulta ainda mais a instalação de um espaço cultural, de acordo com Kenzo, é a não aceitação ou entendimento por parte da população, que não tem o hábito de incentivar a cultura local. 

“Campo Grande é uma cidade difícil para produção cultural. Acho que as pessoas não entendem e não incentivam a cultura local. Somos uma cidade que lota um espaço para ver cover de banda, mas não paga para ver um artista local lançar um EP, por exemplo”, destaca. 

Ainda sem local definido, o plano dos sócios é dar continuidade ao conceito inicial da Brava: agregar o máximo de empreendedores independentes para que se juntem em um espaço de música, cultura e manifestações artísticas. 

“Esperamos um período de colheita. Esses anos de pandemia foram muito pesados e difíceis. Dessa vez queremos fazer as coisas de uma forma mais leve.”, idealiza Kenzo. 

Enquanto a Brava não retorna em um local fixo, os sócios estão organizando outros eventos itinerantes ainda para esse ano. O mais esperado é o Festival Resista, previsto para acontecer em outubro.

“Esta reportagem foi produzida com apoio do programa Diversidade nas Redações, da Énois, um laboratório de jornalismo que trabalha para fortalecer a diversidade e inclusão no jornalismo brasileiro. Confira as metodologias na Caixa de Ferramentas

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