Trinta anos: Green Book pode ganhar Oscar, mesmo com trama parecida já premiada – Crítica

Green book: o guia filme dirigido ‘solo’ por Peter Farrelly, da dupla Farrelly, com o seu irmão Bobby Farrelly (Debi & Loide 2; Dumb & Dumber), evoca o discurso de “Conduzindo Miss Daisy”, lançado em 1989, esse que se tornou um feel good movie (me sinto bem no filme), pois contava a história de uma senhora de alta classe branca, que teria de se acostumar com o motorista negro, com isso levou o Oscar de Melhor Filme, na época.  

Agora, aproximados trinta anos depois, Peter vê Green book, o filme homônimo ao livro, ser indicado aos Prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e, sem métrica específica, à “Melhor Roteiro Original”, segundo a academia.

Vamos a obra então queridos…

O Guia, se passe em uma época em que os Estados Unidos eram norteado por marchas confederadas, isso é, em algumas regiões do país, o preconceito contra negros era tão insano, que muitos eram espancados só de irem até uma determinada localização.

Pensando nisso, um famoso pianista, Don Shirley, negrão lindo que é, chama o fanfarrão Tony Vallelonga, ou Tony ‘Boccudo’, para lhe ajudar.

Viggo Mortensen,Linda Cardellini,Mahershala Ali
Da direita para esquerda – Mahershala, Linda, Peter e Viggo.

O tal Tony começa o filme esmurrando um cara na porta de um bar, a cena é desconexa, faz referência a um passado de jogo sujo, esse passado é evocado no roteiro, no momento em que Tony já presta serviço de motorista ao Pianista.

No entanto, o Pianista chama mesmo Tony, pelo modo como era acostumado a resolver seus problemas, isso é, no soco.  Eles teriam de fazer um Tour Musical pelo interior dos Estados Unidos, Tony é convidado a ser o motorista, e para se orientar onde poderiam parar para descansar, em épocas trevosas de preconceito, Don Shirley lhe entrega um livro, esse é o Green Book, o livro que apontava os hotéis ao sul dos Estados Unidos que aceitavam afrodescendentes. A obra é repleta de charme e humor.

A força de Tony e modo como encarava seus problemas é um dos critérios pelos quais ele foi contratado pelo pianista, porém, com o decorrer da trama, Don Shirley percebe que o uso da violência é uma problema para Tony, que além de ser preconceituoso, não sabe outro meio de resolver seus problemas cotidianos. Don Shirley tenta resolver isso, se aproximando do motorista; cenas em que Tony é ensinado a escrever cartas para esposa, são emocionantes.

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Tony escreve uma carta à sua esposa, essa ditada, por Don Shirley.

A obra é divertida e reflexiva em alguns momentos. O uso da chuva/água para ressaltar os momentos dramáticos do Tour Musical é uma sacada artística certeira de Peter.

O filme é um road movie. A transformação de Tony de conservador racista em alguém mais tolerante é um dos caminhos percorridos, mas não o único. Shirley também muda ao embarcar na jornada ao lado do motorista.

PONTO FORTE 

Gree-1-1024x511O filme é bem fotografado, charmoso, o roteiro é consistente, se usa de atuações afinadíssimas: destaque a coadjuvação de Linda Carddellini, que vive Dolores, a esposa de Tony.

Ela joga muito, suas cenas são deliciosas. — Pagaria outras mil entradas para assistir um filme em que sua personagem estivesse mais presente na história, mas já valeu a pena, suas aparições são inesquecíveis. Você vai querer muito ver a primeira cena em que Linda aparece em O Guia.

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Dolores (Linda), lê a carta escrita por Tony com a ajuda do Pianista.

Já os protagonistas, Viggo e Mahershala, dão um show de sensibilidade nas manobras cênicas, com o uso do corpo extremamente limitado, por estarem no veículo. Viggo se vira bem, ressalto a cena em que come frango no carro.  — Aquilo é uma delícia de atuação!

OBSERVAÇÃO

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Peter dirige o ator Viggo  Mortensen, em O Guia.

Peter é muito conhecido pela direção de comédias, sempre na companhia do irmão Bobby, em sua estreia como diretor-solo, ele traz uma obra gostosa, porém discursiva.

Farrelly entrega um resultado que valoriza o riso, natural em seus trabalhos. Ele emociona, faz pensar, isso é fruto do roteiro escrito por ele, Nick Vallelonga (filho de Tony Lip na vida real) e Brian Hayes Currie.

Os demais personagens são fantasmas na trama. A banda que percorre o caminho com a dupla, nada mais é que um objeto cênico, com o final do tour, eles desaparecem, assim como toda a pequena história que construíram na obra.

PERSONAGEM FORTE 

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Personagem: Tony Lip ou Toni Vallelonga.

Tony Lip, Viggo Mortensen,  é o tradicional brucutu ítalo-americano que leva a vida com pequenos serviços.

Em um deles, trabalha como segurança de casas noturnas. Num período sem emprego, ele fica sabendo de uma vaga de motorista de um tradicional músico. É quando conhece Don Shirley (Mahershala Ali), um conceituado pianista. O artista precisa de um motorista, mas também de um assistente e segurança, uma vez que tem uma turnê marcada pelo sul dos Estados Unidos, no início dos anos 60.

O brutamontes embarca na viagem.

Viggo Mortensen  vive um personagem cheio de dilemas internos, mas os filho da mãe é carismático, sendo gozável ver ele ser surpreendido pela história.

Ele vai se transformando em uma pessoa cujo preconceitos e paradigmas vão sendo quebrados aos poucos.

Essa transformação do personagem é abraçada com unhas e dentes pelo ator, que está estupendo e na melhor atuação de sua carreira, com um sotaque italiano e alguns quilos a mais conquistados para dar veracidade ao papel.

O LIVRO 

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O livro escrito por Victor.

Escrito em meados dos anos 60, o livro/catálogo trazia os lugares que poderiam ser frequentados por pessoas “de cor”, como chamados os negros na época.

O criador da obra, foi o carteiro dos serviços postais Victor Hugo Green criou o chamado Green Book (Livro Verde), que trazia uma lista de restaurantes e hotéis que aceitavam afro-americanos. Era uma divisão bem rígida: se um negro entrasse em um estabelecimento para brancos, ele seria no mínimo humilhado.

Bom, seus lindos, o filme é massa demais, vale a pena conferir, não à toa está concorrendo ao Oscar 2019, que acontece nesse domingo, 24 de fevereiro, ansioso…  Bjs, até a próxima!

 

 

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